Irmão, você não é uma planta. Você tem escolha, tá ligado? Você pode escolher se você vai fazer o simples, o normal, aquilo que é esperado de você já, ou se você vai supreender, tá ligado Surpreenda, irmão. Surpreenda. Faça mais. Faça mais, tá ligado?
Sei lá. Começou sendo um estranho. Não estranho de desconhecido, sabe? Estranho de esquisito mesmo. Ninguém sabia o que eu ia querer com um menino como ele, muito menos eu. E pra mim, não fazia diferença nenhuma. Depois até que ganhou um espacinho na minha vida, ou na caixa de entrada do meu celular. Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Bom final de semana. Hey, quero que tu seja feliz, porque eu te amo. Ta bom, talvez não fosse tão estranho assim, aquele menino que queria tanto tanto me ver bem. Confesso, eu desejava o mesmo pra ele: tudo de bom e de melhor do mundo, porque ele merece. Daí nasceu uma amizade. Daí cresceu uma amizade. Em pouco tempo me tornei uma alface, chamada Eleanor. Tá, era a esquilete verde, baixinha e gorda do filme. Claro que não era sozinha, eu tinha o Theodore, meu alfacezinho de pelo gordo. Criamos uma muralha no japão, juntos. Quase tão forte quanto a nossa amizade. Então, ele era meu amigo. Sei lá né, a gente se amava. E esse amor foi crescendo. Crescendo. Crescendo. Até que ficou grande demais. Ele se tornou o menino que eu amo. Mas ainda era o meu melhor amigo. Ainda era meu alface, meu Theodore. Por uns tempos ele foi até o fofão, e pelos mesmos tempos era gordo, dava pra apertar e morder. Quando chegou, enfim, o tempo que não deu mais pra segurar esse amor dentro de mim foi que eu descobri, que dentro dele, acontecia a mesma coisa. Ele já não era mais um estranho. Avisava um tal de Dom Helder em uma época, que a gente só ama aquilo que conhece. Pois bem, eu já conhecia aquele menino alface, e me apaixonei pelo que conheci. Então, nos tornamos namorados. Acontece que como eu disse, Gabriell me pediu em namoro no dia 27 de Março de 2012. Mas nós sabemos que sempre seremos mais do que isso. Hoje ele saiu daqui descobrindo ser meu irmão novinho. Que isso novinho, que isso. Mas ainda assim, ele é muito mais pra mim. Ele é tudo isso, só que ainda mais. Ele é o amor da minha vida. Ele é o meu menino, o meu guri. Ele é o meu amor, a minha paz, o motivo da minha felicidade, porque pra ele, se eu estiver feliz tá tudo ótimo, e pra mim, a vida só é bonita quando ele sorri, e a felicidade só existe quando contagia ele. E depois disso, com o tempo passando, com esse amor crescendo, a amizade fortalecendo e o relacionamento ficando cada vez mais firme, com toda a certeza posso dizer. Na verdade, sendo bem sincera, ele é meu irmão. Ele é meu namorado. Ele é meu amigo. Ele é o meu chato. Ele é único. Ele é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Ele é tudo, tudo pra mim.
Pelas pessoas que me fazem feliz, eu ficarei feliz. Pelas pessoas que me querem bem, eu ficarei bem. Pelas pessoas que não me deixam cair, não irei desistir. Pelas pessoas que a cada dia se tornam mais especiais na minha vida, não irei fraquejar. Pelas pessoas que me acolhem todas as vezes que preciso de abraços, por elas eu vou vencer. Pelas pessoas que me fazem forte, eu serei forte. Pelas pessoas que amam o meu sorriso, farei delas o motivo dele. Pelas pessoas que me dizem que tudo vai dar certo, eu arrisco, eu entrego. Pelas pessoas que me amam e deixam isso em evidência, eu devolvo da mesma forma. Pelas pessoas que fazem de tudo para não me deixar partir, eu permaneço. Pelas pessoas que arrumam um jeito de me conquistar, eu me entrego. Pelas pessoas que precisam de mim todos os dias, eu continuo, eu persisto. Por essas pessoas que me deixam sem ter o que falar na maior parte do tempo eu agradeço. Por vocês serem os Presentes de Deus na minha vida eu confio e me entrego sabendo que será retribuído da mesma forma.
Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Aí tu se olha no espelho, vê aquela cara de choro, vê que tá horrível, vê que vai começar a chorar de novo. Vê que não vai parar de chorar. Vê que as lágrimas vem vindo e vindo e vindo, aí tu não consegue controlar. Então tu resolvei deitar na cama de novo, abraçar o teu ursinho e curtir mais um pouquinho aquele momento de tristeza extrema. Chora como se alguém tivesse morrido. Talvez algo tenha morrido dentro de ti, e tu nem percebeu. Tu se pergunta qual é o motivo do choro. Fica sem resposta. Resolve se olhar no espelho de novo. Aí tu se olha no espelho, vê aquela cara de choro, vê que tá horrível, vê que vai começar a chorar de novo. Mas dessa vez, não vai fazer o mesmo. Chorar e chorar não adianta nada. Lava esse rosto, esquece aquilo que te incomoda. Lembra da parte boa da vida, lembra de viver a vida. Lembra que com essa cara de choro tu tá horrível e que muita gente espera pra ver um sorriso teu. Aí tu se olha no espelho, vê aquela cara de choro, resolve ir passar uma água e viver. E ser feliz. E ressuscita o que de melhor existe dentro de ti: a capacidade de superar.
No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem, que quando chega ofusca todo o resto?